A autorização do Plasma Rico em Plaquetas para o tratamento complementar da artrose do joelho colocou o PRP novamente no centro das discussões em ortopedia.
Em 15 de julho de 2026, entrou em vigor a regulamentação do Conselho Federal de Medicina que permite o procedimento para quatro condições osteomusculares específicas.
Entre elas está a osteoartrite do joelho.
Dr. Mauro Júnior, ortopedista especialista em cirurgia do joelho e membro da SBCJ, ressalta que a regulamentação precisa ser acompanhada de informação correta.
O PRP é preparado a partir do sangue do próprio paciente.
Após a coleta, esse sangue é submetido à centrifugação, processo que separa seus componentes e permite concentrar as plaquetas.
Essas plaquetas possuem fatores de crescimento e substâncias relacionadas à resposta inflamatória dos tecidos.
É daí que surge o potencial terapêutico do PRP.
Mas isso não permite afirmar que o procedimento reconstrua uma cartilagem completamente perdida.
Na artrose do joelho, o objetivo é contribuir para melhorar o ambiente articular, controlar sintomas e recuperar função em pacientes que tenham uma boa indicação.
E essa indicação depende do estágio da doença.
Segundo Dr. Mauro Júnior, pacientes com artrose até o grau 3 podem estar entre os candidatos, desde que outras características do joelho também sejam avaliadas.
Grandes deformidades, bloqueio da articulação e perda significativa do movimento são sinais de que o caso pode exigir uma abordagem diferente.
Outro aspecto é o tempo.
O efeito não deve ser avaliado apenas nos primeiros dias. Em muitos pacientes, a evolução acontece gradualmente durante 30 a 60 dias.
Fisioterapia e fortalecimento muscular são partes fundamentais desse processo. Atividades de impacto também podem precisar ser temporariamente ajustadas.
Em casos selecionados, existe ainda a possibilidade de associar o PRP ao ácido hialurônico.
Para Dr. Mauro Júnior, porém, a técnica utilizada não substitui uma conversa transparente sobre o resultado possível.
Reduzir consideravelmente a dor, melhorar a função e permitir que o paciente volte a realizar determinadas atividades pode representar sucesso, mesmo que alguns sintomas permaneçam.
Na prática do especialista, uma redução entre 60% e 70% dos sintomas já pode ser considerada uma resposta muito positiva em determinados casos.
Antes de realizar qualquer infiltração, é necessário entender em que estágio está a artrose e qual tratamento oferece o melhor equilíbrio entre benefício e expectativa.




